domingo, 26 de março de 2017

UTOPIA



MUITO MAIS QUE SONHO, ILUSÕES...




É impossível um momento se repetir, impossível um sentimento se repetir, um amor se repetir é uma ilusão.
A vida não é um moto contínuo, a vida não tem volta. Ela sempre seguirá em frente, mesmo que por um tempo, tenhamos perdido seu ritmo.
Hoje somos apenas fotografias, de um passado próximo ou longínquo, aprisionadas em um porta-retratos e perdendo as cores, na estante da sala.
Talvez as cores estejam esmaecendo porque a nós dois falta um ato de extrema importância: coragem.
Coragem para seguirmos nossas verdades, nossos sentimentos, emoções. A coragem de sermos nós mesmos, vivemos mascarados, nos fantasiando um para o outro na esperança de salvar algo que talvez nunca tenha existido.
Nos embaraçamos em forçadas emoções, dualidades, sentimentos vazios, até que chegamos ao sexo. Urgente no princípio e esquecido no presente. Gritos e gemidos que não chegam nem a ser ouvidos: meu timo dói. Depois o vazio, que disfarçamos segurando nossas mãos e fingindo dormir um sono que nunca chega.
Nos prometemos um dia, acho que foi quando fizemos a foto da estante, que seríamos a verdade um do outro.
Não consigo precisar quando começarão nossas mentiras veladas.
Hoje olho para aquela triste fotografia e custo a acreditar que somos nós dois. Sorriamos um sorriso cheio de amor e reflito que naquele momento aquela era nossa verdade. Bastava um ao lado do outro e poderíamos ser tudo que sonhamos.
Eu usaria o perfume da terra úmida, você o da grama recém aparada. Nossas peles teriam a cor do sol no fim do dia. Suas palavras, tão ricas, tão importantes, tão lindas, tão cheias de amor, que eu me desesperava na tentativa de pegar todas com minhas mãos, para que elas não se perdessem
Viveríamos serenos como a madrugada ao lado do mar, ouvindo as ondas, ou no topo de uma montanha tentando entender a linguagem do vento.
Acreditávamos que éramos reais, e o amor também, tão real que podíamos tocá-lo.
Pensávamos que no nosso sonho utópico, chegaríamos à perfeição.
Não sei em que momento percebemos que não havia mar, não havia montanha.
Nunca ouvimos as ondas, nem deciframos a linguagem do vento.
Que meu perfume era Chanel nº 5 e o seu me provocava enjoo.
Que nossa presença já não nos bastava, tínhamos que estar rodeados de amigos, tomando vinhos de boa qualidade, e vestindo roupas de grife...
Que na verdade nunca acreditamos em fadas, duendes e fábulas.
Que um, era pedra, que o outro era árvore.´
Então traí você e não me senti culpada, queria até que você percebesse, mas não mais prestávamos atenção um no outro.
Foi nessa noite passada que percebi que seu líquido não molhou meu sexo, que meu desejo está seco, não tem uma gota de prazer. Que não preciso mais fingir.




Eu estou saindo, aproveitei e no caminho rasguei nossa foto. Não me procure, você não ficará só, a poesia lhe fará companhia.
Eu... não se preocupe, volto ao mundo real.


Madu Dumont

Posso lhe responder aqui, a poesia é mesmo a minha melhor confidente.


Quando o amor chega ao fim.


ILUSÕES


Tudo é uma grande verdade.
Vou para minha própria vida,
o meu atalho.
Sem raiva ruge o meu silêncio.
Não há outro caminho,
meu coração está vazio de mim e de você.
Sinto medo de viver o que não entendo. 
Sinto medo de ter perdido meu sonho,
de ser esmagado pelo acaso.
Meu coração insiste,
mergulha,
se perde.
Tempo de chorar, 
chorei, chorei, chorei, chorei...
Já estou com saudade do que fui.
Escondo o que chamo de alma,
para entender meu próprio segredo.
Só eu posso realizar 
meu destino fatal.
Sinto falta de minha grande ilusão.