segunda-feira, 13 de março de 2017

A FISIOLOGIA DO AMOR



PORQUE O AMOR VAI ALÉM




Quando você bate no peito e diz: “eu amo”, e seu amor é verdadeiro, talvez você não saiba, mas está verdadeiramente tocando o amor.
Você está entrando em harmonia com a sua mente e seu corpo, com seu desejo e sua felicidade por poder amar, pois ali, bem pertinho do coração, existe uma glândula que se chama timo.
Seu nome em grego, thýmus, significa: energia vital.

É impossível existir amor onde não há energia. É essa energia que é a fonte do amor, alimenta-o e faz a harmonia entre sua mente e seu corpo. Tudo através do funcionamento dessa glândula, que pode ser considerada a "maestra" dos seus sentimentos.

Ela é profundamente sensível à imagens, cores, luzes, cheiros, sabores, gestos, toques, palavras, pensamentos... todos os ingredientes do amor.
Portanto é simples concluir que o amor vai muito além do sentimento, ele é físico, e como você, pode ser efêmero e falível. Mas se viver é inevitável, viver com um amor verdadeiro é precioso.

Isso torna entregar-se ao amor, imprescindível. O amor lhe dá a chance de se desenvolver como pessoa, fazendo você mais inteiro, mais completo, mais seguro e aquela pequenina glândula no seu peito, cresce, incha, se orgulha de poder produzir divinas sensações.

É por causa dela que amar lhe purifica, aguça seus sentidos, enche você de esperança e o motiva a enfrentar seja qual for o obstáculo.

É preciso ser perspicaz para sentir o coração (timo)unir-se a razão para fazer a escolha do seu percurso, da sua trajetória no amor e fazer sua alma mais iluminada. Não se iluda, é trabalhoso e difícil, mas você se tornará muito mais que mais uma pessoa no mundo, será um temporal de possibilidades.

Ouse amar, não renuncie ao prazer da essência, conheça e experimente o amor que nasceu nas entranhas de seu peito e tem perfume de lua cheia. Chegue ao limiar das portas que se abrem, aceite cada momento como se fosse o único, com os olhos entrefechados de felicidade. Respire o infinito, pois você sabe onde mora o amor, é bem ali, pertinho do coração.

O medo nunca mais vai existir, seu amor não está no outro, está dentro de você e por isso estará pronto para amar todos os dias, recomeçar, com entrega de corpo e alma.



Então não se esqueça de cuidar com carinho do fundo do seu peito. E saiba, o amor sempre virá, melhor e mais feliz, iluminado de paixão. E que ele permaneça vivo e se mantenha em sua alma para sempre.   


Madu Dumont

quarta-feira, 8 de março de 2017

UMA PEQUENA HOMENAGEM ÀS MULHERES.




NÃO SE PODE FALAR DE AMOR, SEM FALAR DA MULHER



PARA SER MULHER






É preciso que de tanto caminhar,
já tenha me perdido.
Mas volte sempre para mim
com sabor fresco da brisa no amanhecer.





É preciso que eu possa fiar todos os dias,
com fios de prata, as sensações,
que me embarace nos fios
mas que saiba desatar os nós.








É preciso que eu seja uma mulher vermelha,
como o sol no fim do dia,
e que o vermelho do sol,
escorra entre minhas pernas.
E nunca esqueça que me pertenço.





É preciso que eu tenha um colar de pérolas,
só para olhar a cor da lua,
e que o desejo brilhe a minha pele,
sinal de que eu sou meu destino.
que eu durma,
e sonhe com meus seres amados.
Que o prazer sempre corra em minhas veias,
mas nunca me escape entre os dedos.



É preciso que eu
chore por dentro
e o diamante dos meus olhos se liquefaça,
escorra pelo meu rosto,
e minha alma se alivie.
Mas quando tiver meus olhos secos,
tenha o coração molhado.



É preciso que não me cure da solidão,
mas que saiba que o medo da solidão é curável.
É preciso que eu tenha um filho,
que saiba tirá-lo de minhas entranhas,
e com os dentes, corte o cordão de sangue.







Que minha força,
me trespasse como lâmina de fogo.
Tão suave, que eu deseje que a dor nunca tenha fim.

Que meu corpo fique machucado de amor,
Tão vermelho que pareça um grito.







Que quando tiver que partir,
saiba sair enrolada em uma nuvem de seda.



 Madu Dumont

terça-feira, 7 de março de 2017

SOBRETUDO PORQUE TODA NAVEGAÇÃO É PRECISO...




Como na vida, como no mar, mas sempre nos mergulhos mais profundos.

 

Nós os homens comuns podemos, devemos, mergulhar bem fundo e tornarmos imortais pela emoção, sem permitir que em momento algum, voltemos a flutuar e nos esqueçamos das emoções que já conquistamos, exatamente por termos tido a coragem do mergulho profundo. O mergulho, muito mais que na água, pode ser na alma.
Que nós não percamos a coragem de ir cada vez mais fundo, vivendo nossas verdades, entendendo que na emoção não existe antagonismos. Há tantas formas de mergulhar... E é bem no fundo deste mergulho que podemos nos tornar imortais diante do efêmero.
São tantas oportunidades que nos abraçam, elas não trazem fórmulas ou caminhos para a felicidade, apenas chegam e nos fazem entender que não somos perfeitos. Perfeição é mentira, e deve ser muito sem graça, na perfeição nada mais precisamos buscar, a luta não existe.
Mas é mergulhando na emoção, que de alguma forma acreditamos que em um momento qualquer a vida vai nos atingir em cheio e por um segundo, estaremos no paraíso. E voltando outra vez, cada vez, mais fundo que aprendemos também a olhar para nossas falhas e mesmo assim podemos dizer: eu posso, eu consigo e buscamos tentar de novo.
Se eu me prendo, me agarro às palavras como minhas ferramentas, palavras que passei a vida buscando, procurando, como se fosse meu ar, você traz lá  bem dentro de você a experiência, o aprendizado da vida, seu brilho, sua coragem, que chegam a lhe pegar desprevenido e surpreende-lo, quando você os transforma em palavras e descobre que sabe tanto, ou muito mais do que imaginava saber.
Aí acontece o encontro de verdadeiros seres humanos, mentes e almas que conseguem falar uma a outra. Um encontro que acontece por acaso e de diversas maneiras, emoções novas, diferentes, só porque nunca voltamos à superfície. Nunca nos deixamos ficar em um porto.


O que resta são as palavras, pois elas sabem traduzir as emoções e percebemos que somos melhores, pois sem as palavras, não teríamos a quem amar, não teríamos coragem e coração, para plantar e cultivar nos outros as emoções, sem nunca pensar ou importar em quanto tempo dure.


As palavras nos tornam imortais, a vida sem elas não basta. Mas se conseguirmos ter um pouco de paciência, veríamos que navegar é preciso... E ponto final.


Madu Dumont

domingo, 19 de fevereiro de 2017

QUEM TEM DIFICULDADE PARA AMAR, É QUEM MAIS PRECISA DE AMOR


QUAL AMOR?


Viver é inevitável e sei que não posso ser curada de ser eu mesma.
Mas me diga, conhece alguém que possa lhe ajudar além de você mesmo?
(Parece clichê de livro de autoajuda ,eu sei). Duvido, você tem a consciência de que a estrada continua e nela você vai só, ninguém vai lhe dar a direção.
A estrada é longa, a solidão dura, pedras e tropeços. Você precisa ter consciência de suas escolhas, ser responsável por cada passo dado.
Você tem medo, mas o importante é abandonar o passado.

Eu poderia lhe aconselhar a sair da frente de seu espelho sombrio e simplesmente olhar em volta e colorir sua vida. Parece fácil, mas não é, pois o que está em volta você já conhece e está dentro de você e este emaranhado de sentimentos, emoções, dores, alegrias, são difíceis de desembaraçar, afinal você levou uma vida inteira dando esses nós.
A vida é de quem lhe dá licença que ela lhe invada.
No caminho não existe placas, mapas, roteiros, indicações, e o que é pior, nem GPS ou Google.
Ouse, brilhe, e aprenda com seus erros. Conhecimento não é o mesmo que sabedoria.
Não procure a perfeição, a vitória, a invulnerabilidade; você é totalmente vulnerável e esse é seu maior desafio, sua maior coragem.
E coragem é vencer o medo de querer-se bem.
Entenda, nada que se passa na vida é banal, sempre tem alguma coisa acontecendo. Olhe para o seu lado.
Também não existe o certo. Você nunca vai estar certo, como nunca vai estar mais errado que os outros.
Agora pegue uma espada bem grande e afiada, levante-a bem alto e gire, gire várias vezes, corte todos os fios que lhe ligam ao passado, corte todos os arrependimentos, medos, eles estão no passado. Um guerreiro com a espada na mão, não desiste da luta. Para terminar esta guerra, arranque a carcaça e abra seu peito com um único golpe. Liberte sua alma.
Tudo são escolhas, pode escolher ser uma vítima, ou ser o que quiser.
A felicidade está na caminhada, passo a passo vencido, sob o sol forte, na noite, na chuva, no frio ou nas belíssimas paisagens que você pode ver no caminho, cabe a você, escolher o que seus olhos vão ver.

Entendi que não existe início, nem chegada, a ordem não existe.


Madu Dumont

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

APRENDENDO A ME AMAR


MINHA HISTÓRIA


Tento fazer nascer a minha história, mas constato que minha história mais explícita tem segredos inconfessáveis. Passo a mão pelo meu corpo em um desejo de carícias, sinto a pele eriçada pelo frio e experimento a maciez da seda misturando-se aos primeiros ensejos da luz de um outro hoje. Talvez agora eu possa chegar à verdade, talvez a verdade seja este encontro particular e inexplicável. Naturalmente, vou sentindo-me tão interior e tão íntima que não existe agora nenhuma palavra que possa me definir.  Às vezes sinto vontade de me enganar, mas neste momento quero viver minha vida incipiente, sem ilusões, aquela que respira fundo e bem no fundo. Quero entender quem sou.

Percebo que até agora caminhei, de fracasso em fracasso, de vitória em vitória, e me reduzi ao que sou, presa a um corpo que nem sempre me acompanha, que demonstra, tantas vezes, ter vontade própria e me deixa apenas migalhas para saciar minha fome absoluta. Minha nudez é necessária, é como se eu ultrapassasse o último obstáculo que me separa de mim mesma. E no esforço de não me enganar, concluo que estou incompleta.

Sempre conheci a culpa. Era fácil me redimir - a derrota me satisfazia, era um alento. E usava o flagelo, o castigo, como salvação. A derrota me satisfazia porque estava ligada a todos os fatos que foram, estavam ou seriam a causa de minhas emoções e deixavam à mostra minhas fraquezas.
Penso agora em meu maior defeito, a prepotência. Foi com ela que tentei me esconder da vida, foi ela que me fez manipular minhas próprias emoções e acreditar conseguir viver na superfície, sem mergulhar em sentimentos reais e que, vejo agora, sempre existiram. Foram essas as minhas escolhas. Escondi tanto, tanto, tanto, minhas dores e meus amores até acreditar-me incapaz de amar, principalmente a mim mesma.

Quero pensar no amor. Esse sentimento incompreensível e negado sempre solidificou emoções no campo físico. Foram esses os desacertos que me fizeram viver até hoje. Foi esta a grande crueldade que pratiquei comigo. Olho em volta, o hoje desvirgina o céu e é lindo, acontece ao meu redor o tempo todo, é a vida. Esta é a vida real. É a minha chance, minha oportunidade de viver o amor,( primeiro por mim mesma) para que perca o medo e me dê o direito de sonhar e errar e “errar” em meus sonhos. Apagar para sempre a personagem criada na dureza do fio da lâmina, na indiferença, na superfície da matéria.

Sei que amo, mesmo sem saber, mesmo sem dizer, porque amor é só sentimento e com amor não se paga, é dado de graça, é levado por este vento que canta, não tem definição em dicionários, não tem regulamentos. Amor não se troca, não se conjuga, ama-se porque se ama. Amor é amar a tudo, é amar a nada, e se fortalece apenas em si mesmo. Sinto que o amor é capaz de vencer a morte, por mais que se “morra” (e se mate) de amor. Talvez seja o amor apenas um instante, um instante de sentimento, de conclusão, de lembrança, e vários outros instantes que não me lembro, ou não conheço, instantes sem razão.

Neste instante, uma luz diferente pousou em minha pele, além da pele, nos músculos, nos nervos, no sangue, nos ossos, uma luz branca, vermelha, alaranjada, o céu, o infinito, girou em torno dos meus pensares feitos de sonhos e de ventos.

Descobri que tenho destino (ou salvação... ou já me salvei).

Vou vestir um vestido de seda azul.


Madu Dumont

domingo, 15 de janeiro de 2017

EU TE AMO


Meu erro foi não ter olhado dentro de seus olhos antes.

Não ter sido capaz de conquistar você, de tentar viver com você, ou ao menos mais perto por mais tempo.

Sei que nós poderíamos ser felizes. Impossível não ser, pois foi dentro de seus olhos que consegui enxergar uma galáxia cheia de estrelas desconhecidas, e 
que eu queria ter tempo para conhecer, para descobrir e entender cada uma delas. Foi olhando seus olhos que assumi seu lugar. E sei que você também viu meus olhos e que não esquecerá nem um só instante de nós dois, mesmo que tente fingir que não se recorda. Foram suas as palavras de que naquele momento morreria feliz. 



Não consigo aceitar a ideia de não ter uma segunda chance.
Serei feliz com os fragmentos de seu tempo, pois este será um tempo, em que você será inteiro, eu e você. Não vai existir o mundo lá fora. E outra vez seus olhos, e outra vez a felicidade, a inteiração, a forma como faz meu corpo reagir ao seu toque. Quase que inacreditável para mim. E é nesse momento que consigo ler a sua alma, seus pensamentos (o que tanto te assustou). E sei que cada vez que você se for, tudo terá sido tão grande que a vida para mim valeu a pena. 
Por favor, não se amedronte é apenas uma alma falando a outra. Não existe mais ninguém nesse nosso momento. Não existe dor, saudade, culpa, medo, somos eu e você, nus um para o outro, almas nuas, corpos nus. Mas apenas nós dois. Nem a música pode fazer parte deste encontro.

Quero nossas histórias fragmentadas e mutiladas, elas me bastam, pois jamais significarão uma dor. Ter você em mim, perto de mim, é felicidade. Pode ser só por um instante. Ninguém é feliz o tempo todo.

Quero me deliciar ouvindo suas histórias, quero te dizer das minhas mutilações e das minhas descobertas observando o mundo. Quero aprender o seu mundo.

Quero que você se delicie com a liberdade de brincar com meu corpo, da maneira que quiser, e eu com o seu, nos tornando um dentro do outro.

Peço-lhe, não me deixe em um labirinto sem saída, porque não tenho medo e vou entrar na porta que vai me levar outra vez à vida, cada vez mais forte, e você pode não estar lá. E eu quero que esteja.

Decidi te mostrar o meu melhor lado, aquele que guardei só para mim, mas que assustada percebi que as estrelas dentro dos seus olhos podem ver. Hoje resolvi te mostrar meu lado oculto do amor, sem medo, puro e genuíno. Hoje resolvi te mostrar um eu que só eu conheço, retornar àquele momento em que fui o nada, quando nasci pela primeira vez  e com o correr dos anos, meus outros vários renascimentos.

Minha mente nunca será capaz de compreender o infinito, (apesar de você pensar que sei tudo, posso lhe garantir que nada sei) nem sequer entender verdadeiramente os sentimentos que nos possuem, que se tornam senhores de nossas emoções. Mas compreendo que tudo tem uma lógica (por mais particular que ela seja). E uma das poucas coisas que sei é exatamente que você: você mesmo... sabe muito mais do que demostra ou permite que os outros vejam.

Temos o dom da imortalidade, e acredite sempre, que se você não gosta de quem você é; eu gosto. Creia que vale a pena gostar de você. E esse gostar vem de sua alma, sua pureza, singeleza. Você é muito, muito mais que imagina ser. Sinto inveja das coisas e das pessoas que podem viver ao seu redor. Sinto inveja da caneta com que você escreve, da roupa que veste, da água que bebe.

Hoje trouxe você definitivamente para minha casa: comprei uma planta, que tem as folhas claras como a sua pele, que é suave e simples como você, e sensível, muito sensível, precisa do sol e da brisa, precisa ser cuidada, ser amada... Prometo que conversarei com ela todas as manhãs. Talvez faça dela minha confidente.

Quero que você entenda e acredite que não existe dor no que sinto; toda vez que olhar para essa planta, sua lembrança me trará um prazer exato, o maior e melhor que já senti, quem sabe até um orgasmo. O prazer da felicidade, pois se faço parte de um todo, também sou ele de alguma forma.

Queria terminar esta carta de uma maneira diferente, mas nada, não consigo pensar em nada, nada me vem à cabeça além de uma palavra pela qual tenho um grande respeito e sempre tive temor em pronunciar. A palavra AMOR.


Madu Dumont

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O TUDO


APENAS PENSO


Sim, penso em um fato qualquer – uma chegada, uma partida, um momento, um carinho, um toque – coisas simples que acontecem no correr do dia – todos os dias e que fazem parte do todo que somos, do nosso todo que podia ter sido outro, mas é este.
Penso no amor que um dia compartilhamos e hoje procuramos desesperadamente sem saber se um dia será possível reencontrar.

Penso na loucura, aquela que sou eu e não sei quem sou, aquele que é você, acreditando que é de verdade. Porque a loucura é linda, pois ela é livre, ela voa, ela sonha, ela constrói castelos em que podemos nos esconder da loucura que não é loucura, é a insanidade da destruição.

Então penso nas montanhas que já estão no passado, no vento cantando como um corte no ar, penso quando vi pela primeira vez a nuvem entrando pela minha janela e eu sentindo em minha pele sua suavidade. Nessa hora penso na saudade do que não mais posso ter, ouvir ou ver. Na liberdade dos sonhos quando tentava descobrir qual a língua do vento que só o topo da montanha entende.

Penso na vida sem afeto, quando a gente acredita que é amor, apenas porque o outro sabe dizer, mas não viver. Penso na emoção do momento criação que pode ser amor ou vingança.

Então penso na delicia da água na garganta da sede e percebo que sei coisas demais, mas é o desconhecer que me habita.

Penso nas variações da luz, a do sol e a da lua. Muita sombra ou pouca sombra: tênue, difusa, pronta para os amantes.

Penso na verdade, deturpada ou incompreendida toda vez que é dita.

Penso no homem e no quase nada que finge viver, quando vive... 
E penso no tempo, que vagueia em lenta delicadeza e que o homem tenta alcançar, mas lhe foge entre os dedos e o faz equivocar.

Penso na nossa indolência diante da força dos sentimentos e de como não sabemos lidar com eles.

Penso no olhar, e no que dizem os olhos que não sabem ver.

Penso no filho que tive e naquele que não nasceu.

Penso que estou grávida de mim. Vou nascer mais uma vez, ou já nasci?

Apenas algumas coisas entre as coisas que penso.


Madu Dumont

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

COMO É SOLITÁRIA A MADRUGADA





Como é solitária a madrugada...  bastava uma alma, mas aquela alma verdadeira que uma noite te fez sonhar, que você admirava... para te dizer algumas palavras, talvez ler um poema, até que o som suave daquela voz, que se parecia mais um sussurro, ou uma música, embalasse seu sono, ao invés de transformar o silêncio em uma escultura.

Amenizasse a angústia da ausência de todos os sons que se aquietam quando as luzes se apagam e apenas lá longe, distante da janela, você ouve os passos de um homem, ou o latido de um cão.

Como é solitária a madrugada quando surge um desejo patético e insensato de voltar no tempo e sentir a mão que já te acariciou. O calor do corpo que já se aconchegou ao seu. Mas você já não tem como procurar aquela alma da qual já não se sabe nada. Aquela com quem você podia falar de coisas como a lealdade, o amor e até sobre a morte.


Será que vale a pena pensar no que foi feito do amor? Não só do seu amor, mas do amor do homem, que se tornou tão feio, vazio, e tão só? Por que dói tanto olhar o mundo quando amanhece e você descobre que o amor morreu. Morreu de tédio, morreu de velho, morreu de uma doença incurável.

Como é solitária a madrugada onde esses pensamentos se instalam e você só quer se dobrar sobre você mesma, esconder o rosto com as mãos e chorar, e o corpo estremecer, e as veias das mãos tremerem e descobrir que não chora só por você, chora pelos homens que já não sabem amar, chora e não tem mais um braço que te pouse sobre o ombro e te console a falta do amor humano, que te convença que o mundo e os homens ainda podem se salvar.

Como é solitária a madrugada diante do desejo de ainda sentir um carinho e de voltar a dormir aconchegada.

Hoje a saudade tomou conta de você... Na solitária e silenciosa madrugada.


Madu Dumont

Para Rayane